sábado, 13 de outubro de 2012

Boa tarde pessoal,

saiu no site da UOL (http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2012/10/10/ministerio-publico-federal-aponta-incra-como-responsavel-por-um-terco-do-desmatamento-da-amazonia.htm) que o Ministério Público Federal mostrou que o Incra (Instituto Nacional de Colonização de Reforma Agrária) é responsável por um terço do desmatamento da Amazônia.

Na reportagem também fala das multas altíssimas que terão que pagar, dos planos de recuperação das áreas degradadas entre outras exigências. O que realmente fica disso tudo pra mim é que, tudo bem, eles podem até cumprirem todas as exigências. Mas depois de eles plantarem algumas "mudinhas" e ficarem livres das eventuais multas, como eles pretendem recompor as espécies de vertebrados perdidas nessas ações? E as inúmeras espécies de invertebrados que colonizam uma única árvore (aracnídeos, insetos, hexápodas entre outros animais)?

Professoras e colegas há alguma lei que considera esse tipo de perda?

Um abraço,
Gabriel.


Um comentário:

  1. Oi Gabriel,
    Achei muito pertinente a sua questão! a sua preocupação, em ecologia é conhecida como síndrome da “floresta vazia” (sensu Redford
    1992) há até uma citação que diz: “Não devemos deixar que uma floresta cheia de árvores nos engane fazendo acreditar que tudo está bem” (Kent H. Redford, Bioscience 42: 412-422, 1992). A utilização de espécies da fauna na restauração de áreas degradas (restauração passiva) é menos comum que restauração apenas com flora (restauração ativa) devido a uma série de fatores: os mesmos são móveis, difíceis para criar, introduzir e monitorar na natureza, os animais dependem de recursos difíceis de quantificar e disponibilizar, possuindo tbm uma dinâmica biológica e ecológica complexa etc. O ideal mesmo é fazer restauração com espécies que atraiam esta fauna para o local, que atraia polinizadores, dispersores etc, e isso deve ser considerado sim nas políticas públicas adotadas. Além disso, sabemos que "é preciso muitos processos ecológicos para fazer de um
    punhado de árvores uma floresta!" (http://www.abrampa.org.br/eventos_anteriores/congresso_saopaulo/pos_evento/Wesley%20Rodrigues%20Silva.pdf), portanto, não é só a falta de fauna o agravante...pense em todos os processos e serviços ecossistêmicos que foram alterados, talvez nunca mais revertidos.

    Jullyana

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